domingo, 18 de dezembro de 2011

O vale, à sombra

domingo, 18 de dezembro de 2011

Eu vi um momento bom e, esse momento veio e logo passou. Veio outro momento, oprimindo e entristecendo e se sentiu sufocado e sem forças para passar, simplesmente se instalou e por cá ficou. O que era para ser apenas um momento, um vale. Aqui no vale é difícil até respirar, não sei quando estou certo. Fui tomado por tamanha confusão e em meio as árvores me perdi e não acho o local alto que devo subir. Como estivesse andando em círculos, estou perdido. Passei por um pântano e quase me afoguei, a lama prendeu os meus pés e quando estava me afogando, algo me libertou da lama. E assim corri vário perigos, por até hoje não se consumou o fato. É como a dor que não consome o vento que não refrigera a água que não me tira a sede, o gelo que não refresca ou apenas o remédio que não me cura. Os ferimentos dos espinhos ainda continuam sangrando, o sangue não acaba. Desfaleço mas não morro, meu fôlego chega ao limite e nada acontece. Já não sei das horas ou incrivelmente que dia é hoje, mas acho que não passou nenhum dia após aquele momento que veio do sul chegar. Aqui continuo esperando que o vento venha não apenas do sul, o vento que não completa. Queria sentir aquele vento dos quatro cantos, talvez pudesse ser levada a cima do vale para um momento bom. Pois prefiro sentir o que for ruim e não ter de conviver com ele lado a lado. Pois as palavras já não me ferem, seus discursos não causam efeitos, nada tem sentido, a confusão chegou e sua estadia não tem prazo. E neste vale o caminho me deixa só, não cabe apenas eu, é cheio e solitário, as pessoas não se falam ou apenas uma troca de olhar. Hoje espero a visita daquele que tem prioridade e venha ocupar este quarto. Fiquei sabendo que até a Sra. Solidão pode se alegrar. Ouço dizer que está à porta, mas não consigo atender!

Ben-ami

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