quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Não, não são apenas cactos

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
 mergulho nuno ferro

Você tentou, tentou me fazer ver aquilo
Você tentou me levar, você tentou
Queria ir contigo, conhecer tudo aquilo
Eu realmente queria ir, queria tanto não querer isso
Acreditei aquelas coisas sem sentido
Você me disse, veja isso, veja isso
Aquilo tudo que você me dizia, eu lembro
Você me falou tanto, sobre como era bom
Falou tanto que tudo poderia ser melhor
Você me disse, para olhar
Mandou esperar, disse que tudo iria melhorar
Eu acreditei, acreditei muito
Falei tudo, tudo o que deveria
Eu não escondi nada, até não poderia
Aquilo que você me pediu para ver
Eu não consegui, não consegui
Não vi tudo àquilo que você disse ver
Não sei como isso aconteceu, o que impediu
O que impediu que visse tudo àquilo que você conseguia
São apenas cactos, são apenas cactos
Eu te falei, são apenas cactos
Você me disse que não conseguia ver os cactos
Você não conseguia, eu não conseguia
Estou tentando com todas as forças, não tá sendo fácil
Os meus músculos já estão doloridos
Não consigo, está muito pesado isso, muito pesado
Sinto meu corpo tremendo, estou no meu limite
Novamente estou olhando para aquilo, não vejo
Tudo o que vejo são cactos
Os meus olhos estão cansados, não vou conseguir
Sinto meus olhos pesados, eles querem se fechar
Está tão perto, estou tão próximo, posso sentir
Consegui ver algo, era um deserto, o deserto
Eu consegui, eu consegui ver aquele deserto
Você não, não enxergou aquele enorme deserto
Aquele enorme deserto, você não conseguiu
Foram os meus olhos, eles não conseguiram ver
Estava cansado, estava no limite
Uma hora eu sabia que isso aconteceria
Ela, isso, essa, aquela, tudo me consome, eu não queria
Você, sempre me compreendeu, sempre achou que entendia
Você não entendia, não saberia como me sentia
O que você sabia era que eu não enxergava
Como você conseguia tanto, você não sentia
Não enxergava aquilo que você conseguia
Acho que já pude sentir isso antes
Não compreendi direito, não me lembro de tudo
Busco nas minhas memórias, procuro lembrar
A imagem, os rostos, eu não consigo ver
Tudo, as imagens, lembranças
Está tudo distorcido, não consigo
Acho que já senti, eu acho
Procuro em algum lugar em mim, não acho
Eu te disse, não consigo
Eu sei você sempre disse que estive tão perto
Você não sabe, não sente, eu não vi
Busquei o que me pediu, busquei em minha mente
Eu não vi aquilo que você disse, apenas vi os cactos
Tento lembrar, não dá, não tenho lembranças
Foi tudo consumido, isso, essa, aquilo
Desista, por favor, desista
Não tem nada ai, nada além de cactos
Não vá para aquele deserto, a tanto não chove
Não há nada lá, nada além de cactos
Não, não há nada lá, somente cactos
Novamente busco em minha mente
Que é você? Quem são vocês?
Eu estava, estava tentando
Agora, já não sei
Tudo o que vejo, são cactos
Nada além de cactos
Você conseguiu ver
Não consegui ver, não pude ver, me perdoa
Pois tudo o que vejo são cactos, cactos

por/benami

15:48 21/12/2010

cacto no deserto

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